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<p><img src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2022/01/candida_auris.jpg?w=876&;h=484&;crop=1" alt="Reprodução microscópica do fugo Candida auris" /></p>
<p>Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) descreveram o terceiro e maior surto causado pelo <strong>fungo <em>Candida auris</em> </strong>no Brasil.</p>
<p>Os <strong>48 casos confirmados</strong> foram registrados em um hospital de Recife, em Pernambuco, entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, segundo da Secretaria de Saúde do estado. Os achados serão publicados na revista científica Frontiers in Cellular and Infection Microbiology.</p>
<p><em>C. auris</em> é um fungo emergente que representa uma séria <strong>ameaça à saúde pública</strong> devido à capacidade do microrganismo de resistir aos principais medicamentos antifúngicos.</p>
<h2>Análise</h2>
<p>As infecções por C. auris têm surgido em todo o mundo, muitas vezes com alta morbidade e mortalidade associadas. Os pesquisadores destacam que a disponibilização de metodologias rápidas e com identificação precisa é necessária para a implementação de medidas adequadas de prevenção e controle.</p>
<p>No estudo, os especialistas relatam como a identificação oportuna do tipo de fungo permitiu a rápida detecção dos casos. Ao todo, nove pessoas foram diagnosticados com <em>C. auris</em>. Entre os pacientes, estavam sete homens e duas mulheres, com idades variando entre 22 e 70 anos. O primeiro paciente foi hospitalizado em novembro de 2021, já os cinco últimos deram entrada na unidade em fevereiro de 2022.</p>
<p>O coordenador da pesquisa, Manoel Marques Evangelista Oliveira, do Laboratório de Taxonomia, Bioquímica e Bioprospecção de Fungos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), afirma que o diagnóstico oportuno da infecção é um dos principais objetivos da pesquisa de fungos no país.</p>
<p>“O grande foco na pesquisa científica de fungos no Brasil hoje é termos a resposta para os casos suspeitos de infecções fúngicas para ajudar os pacientes”, afirma.</p>
<blockquote class="cnnbrasil-quote-box with-author "><p>Um sistema de Saúde Única permite um rápido diagnóstico e observamos que houve um baixo número de óbitos entre esses pacientes. Demonstramos que a presença de Candida auris em pacientes não quer dizer necessariamente que eles vão evoluir para o óbito. O fungo pode colonizar o paciente e ainda há medidas para impedir que essa infecção se dissemine nesse paciente<br />
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<strong class="author">Manoel Marques Evangelista Oliveira, pesquisador da Fiocruz</strong></p></blockquote>
<p>O estudo contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), incluindo o professor Reginaldo Gonçalves de Lima Neto, e da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco.</p>
<h2>Os perigos do fungo Candida auris</h2>
<p>O fungo <em>Candida auris</em> é um agente causador de doença oportunista, relatado pela primeira vez no Japão em 2009, em um caso de otomicose. Desde então, foi relatado em todos os continentes, com exceção da Antártica.</p>
<p>O primeiro caso de <em>C. auris</em> no Brasil foi identificado em novembro de 2020, em um paciente de 59 anos, internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) em Salvador, na Bahia. O fungo foi detectado após análise técnica pelo Laboratório Central de Saúde Pública Prof. Gonçalo Moniz (Lacen/BA) e pelo Laboratório do Hospital das Clínicas de São Paulo.</p>
<p>O <em>C. auris</em>â¯é um fungo emergente que representa uma grave ameaça à saúde global, pois algumas de suas cepas podem apresentar resistência aos medicamentos comumente utilizados para tratar infecções por Candida, sendo que alguns estudos apontam que até 90% dos isolados de C. auris são resistentes a fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas.</p>
<p>Ao contrário da maioria dos fungos ambientais, o <em>C. auris</em> apresenta tolerância a temperaturas elevadas de 37°C a 42°C. Além disso, conta com uma capacidade de sobreviver a condições ambientais adversas por longos períodos, adaptando-se fora do hospedeiro humano.</p>
<p>Essas características aumentam o risco de surtos hospitalares, uma vez que a colonização e as infecções podem ter origem em fontes ambientais, como dispositivos médicos contaminados e mãos de profissionais de saúde.</p>
<p>O fungo pode causar infecção na corrente sanguínea e outras infecções invasivas que podem ser fatais, principalmente em pacientes imunocomprometidos ou com comorbidades. Outro aspecto negativo é que os pacientes podem permanecer colonizados por esse microrganismo por muito tempo, sem infecção, favorecendo a propagação para outras pessoas e a ocorrências de surtos em serviços de saúde.</p>
<p>Desde março de 2017, o Brasil possui um documento com orientações de como os serviços de saúde (hospitais, clínicas, laboratórios, entre outros) devem proceder para prevenir e controlar a disseminação fungo.</p>
<p>Fonte: CNN<br />
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