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<p>Em 2022, o saldo entre natalidade e mortalidade foi negativo e a população em Pequim caiu pela primeira vez em 20 anos. O elevado custo de vida e décadas de uma política de filho único se refletem na redução dos nascimentos na capital chinesa.<img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1517966&;o=node" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1517966&;o=node" /></p>
<p>Os números estão no mais recente relatório das autoridades chinesas, publicado nesta quarta-feira (22).</p>
<p>A capital abriga mais de 21 milhões de pessoas e, de acordo com o censo de 2022, a população da cidade caiu 0,05 por mil habitantes.</p>
<p>A taxa de mortalidade aumentou para 5,72 por mil pessoas, enquanto a de natalidade caiu para 5,67 nascimentos por mil pessoas.</p>
<p>A tendência de queda populacional não se registra apenas em Pequim. A retração econômica e social da China é apontada como principal responsável pela queda demográfica do país, onde a taxa de natalidade nacional registou recuo de 6,77 nascimentos por mil pessoas, a mais baixa até hoje.</p>
<p>“Dado o alto custo de vida e os níveis de educação em Pequim, é muito normal que a taxa de natalidade dos residentes permanentes seja baixa”, disse Xiujian Peng, pesquisadora do Centro de Estudos Políticos da Universidade Victoria, na Austrália. &#8220;Esses números são esperados, especialmente para Pequim&#8221;, acrescentou.</p>
<p>As taxas de natalidade em Pequim e outras cidades e províncias são estabelecidas com base nos moradores permanentes e não incluem a população migrante, explicou Peng.</p>
<h2>Filho único</h2>
<p>Ao longo de décadas, o regime político chinês estabeleceu a política de filho único para controlar a demografia.</p>
<p>Em 2016, a estratégia foi abandonada quando o governo do Partido Comunista considerou o impacto econômico do envelhecimento da população.</p>
<p>Atualmente, as autoridades tentam reverter a tendência, incentivando os casais a ter mais de um filho, mas as famílias preferem não fazê-lo. Argumentam dificuldades com o aumento do custo de vida e ritmo de trabalho mais exigente.</p>
<p>“É muito difícil casar e ter filhos para viver uma vida estável”, afirmou um morador de Pequim de 42 anos, que veio de uma área rural para a cidade.</p>
<p>“Fui admitido numa universidade em Pequim e fiquei lá trabalhando. Nos últimos anos, o clima econômico não foi bom e eu estou envelhecendo. Fui demitido algumas vezes. Fiquei desempregado por três meses este ano e o meu salário, quando consegui novo emprego, era apenas metade do que costumava ser. É impossível comprar uma casa em Pequim”, disse ao jornal britânico <em>The Guardian</em>.<br />
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<p>No início de dezembro, a suspensão nacional das restrições por causa da covid-19 desencadeou uma onda de mortalidade que causou número desconhecido de mortes. Não ficou claro se essas mortes estão registradas no relatório.</p>
<h2>Natalidade</h2>
<p>Os conselheiros políticos do governo apresentaram mais de 20 recomendações para aumentar as taxas de natalidade.</p>
<p>As propostas foram conhecidas na reunião anual da Conferência Consultiva Política do Povo da China (CCPPC), este mês. Vão desde subsídios para famílias que criam o primeiro filho, em vez de o dinheiro ser atribuído apenas ao segundo e terceiro, até a expansão da educação pública gratuita e a melhoria no acesso a tratamentos de fertilidade.</p>
<p>Arjan Gjonca, professor associado da London School of Economics, diz que os incentivos financeiros não são suficientes. Ele acredita que as políticas com foco na igualdade de gênero e melhores direitos de trabalho para as mulheres &#8220;provavelmente teriam mais impacto&#8221;.</p>
<p>As propostas da CCPPC, como a licença maternidade paga pelo governo e não pelo empregador, ajudarão a reduzir a discriminação contra as mulheres. O aumento desse mecanismo remove uma barreira para os pais assumirem mais responsabilidades parentais, alegam os especialistas.</p>
<p>O pesquisador da área de demografia Yi Fuxian, que se diz cético em relação às medidas, prefere pensar que o que a China precisa é de uma &#8220;revolução de paradigma de toda a economia, sociedade, política e diplomacia para aumentar a fertilidade&#8221;.</p>
<p>Fonte: Agência Brasil<br />
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