<p> <img src="https://s2-g1.glbimg.com/uX9fCvVcSPRZSHUljNfvMm_tFb4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/G/Y/D1sFsUTC6ODHX9mJMQ3Q/doc-casos-benicio.jpg" /><br /> Caso Benício: Revisão de certidão de óbito é questionada pela defesa da médica<br />
A defesa da médica Juliana Brasil afirmou que o Hospital Santa Júlia, em Manaus, alterou o registro de óbito de Benício Xavier, de 6 anos, dois dias após a morte, mudando a causa registrada de crise respiratória para intoxicação. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.<br />
Benício morreu na madrugada de 23 de novembro. Segundo as investigações, a médica admitiu o erro em documento enviado à polícia e em mensagens ao médico Enryko Queiroz, mas a defesa afirma que a confissão ocorreu &#8220;no calor do momento&#8221;.<br />
A técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação do medicamento, também é investigada. Ambas respondem ao inquérito em liberdade.<br />
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Segundo a advogada de Juliana Brasil, Alessandra Vila, a certidão de óbito emitida no dia da morte, assinada pela médica pediatra Alexandra Procópio, apontava como causas:<br />
Síndrome respiratória aguda grave,<br />
Edema agudo de pulmão,<br />
Parada cardiorrespiratória,<br />
Laringite aguda.<br />
Dois dias depois, o hospital registrou uma Ficha de Revisão de Óbitos com versão diferente, segundo a defesa. O novo documento aponta como causas da morte:<br />
Intoxicação por drogas que afetam o sistema nervoso central (principal causa),<br />
Parada cardíaca,<br />
Edema pulmonar.<br />
Hospital Santa Júlia registrou mudança no óbito de Benício Xavier, diz defesa<br />
Rede Amazônica<br />
A ficha também afirma que o caso não era considerado terminal/irreversível e que a morte ocorreu por uso inadequado de medicação.<br />
No item 13 do relatório, o documento atribui responsabilidade à médica Juliana Brasil Santos, citando “conduta inadequada”.<br />
A advogada Alessandra Vila comentou a mudança feita pelo hospital, explicando que, segundo a documentação original enviada pelo Hospital Santa Júlia, não havia indicação de falecimento por intoxicação de adrenalina.<br />
Ela destacou que a revisão do óbito, feita posteriormente por médicos,— um deles não estava presente no dia — trouxe divergências que precisam ser apuradas.<br />
“Agora haverá investigação sobre essa discrepância, essa alteração do óbito original para a revisão posterior. É mais uma linha de investigação que o delegado vai seguir, porque precisamos entender o que aconteceu”, afirmou Alessandra em entrevista à Rede Amazônica.<br />
O g1 questionou a Polícia Civil se há investigação quanto a alteração no registro de óbito, mas até a atualização mais recente desta reportagem não obteve resposta.<br />
O Hospital Santa Júlia informou que não vai se manifestar sobre o caso.<br />
Novos depoimentos<br />
O delegado Marcelo Martins, responsável pelo inquérito, informou que novos depoimentos serão colhidos nos próximos dias. Ele adiantou à Rede Amazônica que a Polícia Civil deve marcar uma acareação entre a técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva e a técnica Rocicleide Lopes de Oliveira.<br />
Rocicleide disse à polícia que orientou Raiza a não aplicar “3 ml de adrenalina pela veia, pois esse volume só é usado em casos de parada cardiorrespiratória”.<br />
A polícia ainda pediu à Justiça um mandado para acessar o sistema interno do hospital, no qual será feita uma perícia. A solicitação ocorre após a defesa da médica Juliana Brasil afirmar que a prescrição de adrenalina intravenosa registrada no prontuário teria sido causada por uma falha no sistema da unidade.<br />
A Polícia Civil tem ouvido nos últimos dias testemunhas como parte da investigação. Ao longo das oitivas, pelo menos três testemunhas disseram que a médica teria tentado adulterar o prontuário para omitir um possível erro na prescrição de adrenalina.<br />
Mesmo com os relatos, o delegado Marcelo Martins afirmou que não pode pedir a prisão da profissional porque ela está protegida por uma liminar concedida em um habeas corpus apresentado pela defesa e aceito pela Justiça.<br />
Durante as investigações, o delegado também realizou uma acareação entre a médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raiza Bentes, devido às divergências nos relatos sobre a prescrição e a aplicação da dose de adrenalina dada à criança.<br />
Médica Juliana Brasil Santos e a Técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva investigadas no Caso Benício<br />
Rede Amazônica<br />
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Investigação<br />
No dia 26 de novembro, o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) abriu processo ético sigiloso para apurar a conduta da médica. O Hospital Santa Júlia afastou tanto Juliana quanto a técnica de enfermagem Raiza Bentes.<br />
Em relatório enviado à Polícia Civil, ao qual a Rede Amazônica teve acesso, Juliana reconheceu que errou ao prescrever adrenalina na veia. Ela afirmou ter informado à mãe que a medicação deveria ser administrada por via oral e disse ter se surpreendido com o fato de a enfermagem não ter questionado.<br />
A técnica Raiza Bentes declarou que apenas seguiu o que estava registrado no sistema. Ela teve o exercício profissional suspenso pelo Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM), no dia 1º de dezembro.<br />
O delegado Marcelo Martins investiga o caso como homicídio doloso qualificado, considerando inclusive a possibilidade de crueldade.<br />
O caso<br />
Benício foi levado ao Hospital Santa Júlia no dia 22 de novembro com tosse seca e suspeita de laringite. Segundo a família, ele recebeu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa de 3 ml a cada 30 minutos, aplicadas por uma técnica de enfermagem.<br />
&#8220;Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado desse jeito. Mas afirmou que estava na prescrição&#8221;, relatou o pai.<br />
O menino piorou rapidamente: ficou pálido, com membros arroxeados, e disse que &#8220;o coração estava queimando&#8221;.<br />
A saturação caiu para cerca de 75%. Ele foi levado à sala vermelha e depois para a UTI por volta das 23h. Durante a intubação, sofreu as primeiras paradas cardíacas. Foram seis no total. Ele morreu às 2h55 do dia 23 de novembro.<br />
Infográfico &#8211; Caso Benício<br />
Arte g1<br />
Bruno Mello de Freitas e Joyce Xavier, pais do menino Benício.<br />
Patrick Marques/g1 AM <br /><a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2025/12/10/caso-benicio-defesa-da-medica-questiona-mudanca-no-registro-de-obito-do-menino-de-crise-respiratoria-para-intoxicacao-dois-dias-depois.ghtml" target="_blank">Leia mais</a></p>