<p> <img src="https://s2-g1.glbimg.com/RyxbD-SsEjAqEYtHag762aiSwY8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/Y/U/OZ1AYJTAaqAX20Qjf4mQ/medica-caso-benicio-1.png" /><br /> Caso Benício: médica e técnica de enfermagem ficam frente a frente em acareação<br />
A Justiça do Amazonas revogou nesta sexta-feira (12) o habeas corpus concedido à médica Juliana Brasil Santos, investigada no caso da morte do menino Benício, em Manaus. A decisão foi proferida pela desembargadora Carla Maria Santos dos Reis, que não reconheceu a decisão anterior por entender que a Câmara Criminal era incompetente para julgar o pedido.<br />
Benício morreu na madrugada do dia 23 de novembro. A médica admitiu o erro em um documento enviado à polícia e em mensagens em que pediu ajuda ao médico Enryko Queiroz, mas a defesa dela afirma que a confissão foi feita &#8220;no calor do momento&#8221;. A técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação do medicamento, também é investigada. Ambas respondem ao inquérito em liberdade.<br />
O g1 tenta contato com a defesa de Juliana Brasil.<br />
ð² Participe do canal do g1 AM no WhatsApp<br />
Na decisão, a desembargadora afirmou que o habeas corpus deveria ter sido analisado por um juiz de primeira instância, porque a defesa da médica disse que a autoridade responsável pelo caso era o delegado de polícia — e não um desembargador, como acabou acontecendo.<br />
Com isso, fica revogada a liminar anteriormente deferida pelo Juízo de Plantão, que havia garantido liberdade provisória à médica. O habeas corpus havia sido pedido pela defesa de Juliana Brasil.<br />
&#8220;Revoga-se, por conseguinte, a liminar anteriormente deferida pelo Juízo de Plantão&#8221;, disse a desembargadora.<br />
No dia 27 de novembro, a desembargadora Onilza Abreu Gerth concedeu habeas corpus à médica por entender que não havia fundamentos concretos para decretar prisão preventiva.<br />
Segundo a decisão da época:<br />
â Não havia perigo concreto à ordem pública, já que não havia indícios de que a médica pudesse repetir o erro ou apresentar periculosidade.<br />
â A médica possui residência fixa, emprego estável e vínculos familiares, afastando risco de fuga.<br />
â A gravidade do caso, por si só, não justificava prisão antes do fim das investigações.<br />
â Juliana colaborou integralmente com o inquérito, sem indícios de que pudesse interferir na coleta de provas ou influenciar testemunhas.<br />
â Os registros, prontuários e depoimentos estão sob responsabilidade do hospital, não da médica, reduzindo risco de prejuízo à investigação.<br />
â A prisão preventiva seria desproporcional diante das circunstâncias do caso.<br />
â Havia risco de detenção considerada ilegal, considerando pedido de busca e apreensão em andamento e estado emocional fragilizado apontado em laudo psiquiátrico.<br />
ENTENDA: por que a Justiça deu habeas corpus à médica e negou à técnica<br />
Médica investigada no caso Benício.<br />
Reprodução/Rede Amazônica<br />
LEIA TAMBÉM:<br />
Caso Benício: por que a Justiça deu habeas corpus à médica e negou à técnica<br />
Cronologia do atendimento de Benício mostra sequência que levou à morte da criança<br />
Colega de trabalho diz em depoimento que alertou técnica para não aplicar adrenalina na veia<br />
Caso Benício: criança que morreu após receber adrenalina na veia faria 7 anos no Natal<br />
O caso<br />
Caso Benício: erros em série causaram morte de menino de 6 anos com dose de adrenalina<br />
Segundo o pai, Bruno Freitas, o menino foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. Ele contou que a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos.<br />
A família disse ao g1 que chegou a questionar a técnica de enfermagem ao ver a prescrição. De acordo com Bruno, logo após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita.<br />
“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, relatou o pai.<br />
Após a reação, a equipe levou a criança para a sala vermelha, onde o quadro se agravou. A oxigenação caiu para cerca de 75%, e uma segunda médica foi acionada para iniciar o monitoramento cardíaco. Pouco depois, foi solicitado um leito de UTI, e Benício foi transferido no início da noite de sábado.<br />
Na UTI, segundo o pai, o quadro piorou. A equipe informou que seria necessária a intubação, realizada por volta das 23h. Durante o procedimento, o menino sofreu as primeiras paradas cardíacas.<br />
O pai relatou que o sangramento ocorreu porque a criança vomitou durante a intubação. Após as primeiras paradas, o estado de Benício continuou instável, com oscilações rápidas na oxigenação. Minutos depois, Benício apresentou nova piora e não respondeu às manobras de reanimação. Ele morreu às 2h55 do domingo.<br />
“Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça. Não desejamos essa dor para ninguém”, disse o pai.<br />
Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que uma médica e uma técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções e realizou uma investigação interna pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente.<br />
A Polícia Civil informou, em nota, que as investigações sobre a morte da criança estão em andamento para apurar as circunstâncias do caso.<br />
O órgão acrescentou que, no momento, não pode divulgar mais detalhes para não prejudicar os trabalhos.<br />
Infográfico &#8211; Caso Benício<br />
Arte g1 <br /><a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2025/12/12/caso-benicio-justica-revoga-habeas-corpus-de-medica-investigada-por-prescrever-adrenalina.ghtml" target="_blank">Leia mais</a></p>