<p> <img src="https://s2-g1.glbimg.com/s6YI2Akqbn0L5yH8I8siD_Ls8Mc=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/w/F/g8QZXzSQGKgxjeN2JRGw/2025-10-10t090532z-15164791-rc2e6ca4skpz-rtrmadp-3-nobel-prize-peace.jpg" /><br /> Já em Oslo, Maria Corina Machado confirma que saiu da Venezuela com ajuda americana<br />
María Corina Machado fez uma cinematográfica e meticulosamente planejada fuga da Venezuela nesta semana, que incluiu um disfarce, ajuda de diversas pessoas e dos EUA e uma &#8220;assustadora&#8221; travessia marítima na calada da noite.<br />
Detalhes da fuga da opositora de Nicolás Maduro para ir à Noruega receber o prêmio Nobel da Paz foram reveladas pelos jornais americanos &#8220;The Wall Street Journal&#8221; (WSJ) e &#8220;CBS News&#8221;, que entrevistaram pessoas com conhecimento na operação e até mesmo envolvidas na empreitada.<br />
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A fuga durou um total de 15 horas e foi extremamente perigosa e complexa, segundo Bryan Stern, veterano das Forças Especiais dos EUA e chefe de uma organização americana de resgate sem fins lucrativos, que executou a operação.<br />
Como Corina Machado vivia escondida desde agosto de 2024 por desafiar Maduro nas eleições presidenciais, a fuga envolveu diversos elementos que parecem ter saído de um filme:<br />
Ela usou um disfarce com peruca, boné e um casaco grande;<br />
Passou por 10 postos militares do Exército chavista entre seu esconderijo e o porto de pescadores;<br />
Viajou até Curaçao a bordo de um barco de pesca pequeno e antigo e em meio a grandes ondas no mar do Caribe;<br />
Avisou ao Exército dos EUA que faria a viagem pelo mar para não ser bombardeada;<br />
Exército americano ajudou equipe privada a localizar barco de Corina Machado após o GPS da embarcação da opositora cair na água.<br />
&#8220;Em alguns momentos, senti que havia um risco real para a minha vida, mas também foi um momento muito espiritual porque, no fim, simplesmente senti que estava nas mãos de Deus&#8221;, disse Corina Machado em coletiva de imprensa em Oslo.<br />
Foto de arquivo: Maria Corina Machado, líder da oposição na Venezuela, discursa para apoiadores em protesto contra posse de Maduro para um terceiro mandato, em Caracas, em 9 de janeiro de 2025.<br />
Reuters/Leonardo Fernandez Viloria/Foto de arquivo<br />
Segundo o &#8220;WSJ&#8221;, Corina Machado utilizou um disfarce com peruca, boné e um casaco grande para não ser detectada por agentes de Maduro nos 10 postos militares entre seu esconderijo e um pacato porto de pescadores na costa venezuelana, por onde faria a fuga marítima. Segundo a opositora, o regime venezuelano &#8220;faria todo o possível&#8221; para impedir sua viagem.<br />
A viagem de Machado para Oslo teve componentes terrestre, marítimo e aéreo e durou quase três dias no total, segundo o &#8220;WSJ&#8221;: ela viajou por terra de um subúrbio de Caracas até uma vila de pescadores e, depois, de barco até Curaçao, uma ilha no Caribe a cerca de 80 km da costa venezuelana. Depois, ela embarcou em um jatinho vindo de Miami que a levou a Oslo, com uma parada no estado de Maine, nos EUA.<br />
&#8220;Foi muito perigoso. Deu medo&#8221;, disse Stern à &#8220;CBS News&#8221;. O diretor da operação lembrou que foi necessário enfrentar a escuridão e do mar agitado para deixar o país. Stern disse ter se encontrado com Corina Machado no mar no escuro e encharcada.<br />
&#8220;As condições do mar eram ideais para nós&#8221;, porque as ondas altas interferem nos radares. &#8220;Mas, claro, não eram condições desejáveis para navegar&#8221;, explicou Stern. &#8220;Era noite fechada, havia pouca luz da Lua, alguma nebulosidade, pouca visibilidade, as lanchas não tinham luzes&#8221;, descreveu.<br />
&#8220;Todos estávamos bem molhados. Meu time e eu estávamos encharcados até os ossos. Ela também, estava com frio e muito molhada. Teve uma viagem muito dura. Estava muito feliz. Estava muito emocionada. Estava muito cansada&#8221;, acrescentou o veterano.<br />
Stern afirmou que cerca de 20 pessoas participaram da operação marítima e que o governo dos EUA não esteve envolvido no financiamento da empreitada, que veio de doadores privados. No entanto, autoridades americanas da Casa Branca até oficiais militares de alto escalão e diplomatas acompanharam a viagem em tempo real por meio de mensagens de WhatsApp, segundo o &#8220;WSJ&#8221;.<br />
Corina Machado e Stern confirmaram que durante a fuga foi necessário coordenar com o Exército dos EUA para que seu barco não fosse bombardeado —como vem ocorrendo com embarcações que o governo Trump acusa transportar drogas. Inclusive, dois jatos F-18 dos EUA sobrevoaram o Golfo da Venezuela por volta do mesmo horário em que Corina Machado fazia a travessia.<br />
A perigosa viagem, no entanto, teve problemas. Nas últimas três horas de viagem marítima, Machado e sua pequena tripulação flutuaram à deriva no mar após seu GPS caiu no mar e um equipamento reserva falhou. Ela não encontrou a equipe de extração no ponto de encontro designado, desencadeando uma corrida para localizá-la nas águas perigosas.<br />
Nesse momento, Stern pediu ajuda para o Exército americano para localizar Corina Machado. Quando a encontrou, o chefe da operação a colocou a bordo de um barco maior e lhe deu lanches, bebida isotônica e um casaco seco.<br />
A opositora afirmou que pretende voltar à Venezuela, sem esclarecer como ou quando. Stern disse que seu grupo não participará desse retorno, pois realiza apenas operações para extrair pessoas de países, não para levá-las de volta.<br />
Veja os vídeos que estão em alta no g1 <br /><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/12/12/disfarcada-medo-de-morrer-viagem-barco-ajuda-eua-a-perigosa-fuga-maria-corina-machado-venezuela.ghtml" target="_blank">Leia mais</a></p>